Jacinto Alvez "O Amizade"

Tinha alguma ideia dele da sala de xadrez do GXP no Café Palladium, mas foi a partir de 1976 e nos anos 80 que comecei a conhecer melhor e a apreciar esta figura ímpar e curiosa do nosso Clube. Era um bom Homem, directo, franco. Gostava dele!

Estatura mediana, esqueleto bem nutrido, forte, olhos vivos, calva farta e luzidia, ressaltava no Jacinto Alves a sua sonora voz, quer na saudação de boa – tarde ou boa – noite, quer sobretudo na saudação individual com que mimoseava os presentes na sala “ Então como está o Amizade?”. ERA a imagem de marca do Jacinto Alves, que se repetia nos diálogos entre partidas informais, ou no fim das oficiais: “ O Amizade tem que estudar mais!” , “ O Amizade estava perdido na abertura” , “ O Amizade enganou-me bem!” . Para o Jacinto Alves, não havia nomes, havia “Amizades”. O “Amizade” saía da sua boca, tanto aguarelado de ternura, de brincadeira, de complacência com os mais novos, como, quando irritado, era pincelado de claro acento crítico, irónico, que fazia ecoar na sala do GXP com a sua poderosa voz. A sua gargalha da era franca, sadia, com os mesmos decibéis do seu “Amizade”, muitas vezes acompanhada de uma expressão lindíssima, que era outra das suas imagens de marca, o seja, “ o estar de corpinho aberto”, que na linguagem do “ Amizade jacinto Alves” queria dizer “ser piço”, “jogar mal e porcamente”, “não ver uma boi de xadrez” !

Recordo com ternura imensa, a sua expressão nas partidas que jogava ou observava de outros jogadores, a forma como se virava para o desgraçado que tinha perdido, ou que estava quase a inclinar o monarca, e o seu dizer entre o piedoso, o sarcástico, o filosófico, “ Oh Amizade! Você anda de corpinho aberto!”. E este corpinho aberto tanto era dito ao jovem estudante, como ao velho engenheiro, ou doutor de meia-idade, que assentavam banca na sala do Grupo. O corpinho aberto não fazia distinção de idades, ou de títulos académicos! Era também característico do Jacinto Alves outra tirada belíssima, que era lançada em pleno tabuleiro ao adversário, na passagem de uma posição difícil para uma vantajosa: “ Ó Amizade, agora vou-lhe amandar com as carnes todas!”, o que não deixava de causar terror a qualquer neófito xadrezista que não conhecesse o Jacinto, dada a sua corpulência!

Fica-me para sempre o seu bom humor numa longa partida com adiamento e tudo que com ele joguei, em que no final, sem amargura e num magnífico reconhecimento que a sua força de jogo o tinha abandonado, disparou: “ Pois é Amizade, agora sou eu que ando de corpinho aberto!”.

Certa tarde, vi uma figura entrar na actual sala do GXP, depois de um penoso e ruidoso subir de escadas. Não era o Jacinto Alves, sendo o Jacinto Alves. Abatido, “avelhado”, e parasilado de uma parte do corpo. Era o Jacinto, mas menos “Amizade” e mais corpinho aberto, o seu, das misérias e fraquezas deste nosso mortal esqueleto. Tinha tido um acidente vascular cerebral que o tinha deixado mal tratado. Já não falava com desenvoltura e, aquela morte geométrica de parte dele, incomodava-me, entristecia-me profundamente. Continuava o seu amor ao jogo, continuava a “empurrar madeira” naqueles fins de tarde na nossa sala, mas já sem a alegria e vivacidade que o caracterizava. Uma certa tarde, de passagem ocasional, por um sócio a notícia que temia, o Jacinto Alves, o “querido Amizade” tinha morrido. Morreu, e com ele, morreu um pouco do GXP, um bocadinho da história do castiço, do humor, da alegria que algumas personagens trazem ao nosso Clube. Nunca mais aquele inconfundível ex-libris do Jacinto Alves do “Amizade” e do “corpinho aberto”, que dito por qualquer outro era vestuário desadequado do corpo!

O Jacinto Alves, o grande “Amizade”, que foi dirigente do Clube, que foi um forte jogador de 1ª Categoria, que tinha uma biblioteca de xadrez bem razoável, que foi doando ao Grupo ainda em vida, oferecendo a família outra parte depois da sua morte. Ainda hoje o Grupo guarda com redobrada ternura no seu armário – biblioteca, as revistas ocasionais oferecidas pelo Jacinto Alves e, sobretudo, os anos completos e encadernados da “ Schach-Echo” alemã, que “O Amizade” prezava entre todas as revistas de xadrez, embora eu desconheça que soubesse alemão.

Como jogador, o Jacinto Alves, era claramente um Jogador de 1ª Categoria – Categoria de Honra da altura . Relativamente bem informado de alguma teoria, defendia bem, e gostava de “enfiar uns barretes” aos jogadores mais fracos ou desprevenidos. As suas partidas com o Sr. Faria, com o Passos, com o Michael Diamond, eram “batalhas” de rivalidade no tabuleiro, com resultados sempre incertos. Não me custa dizer, que tirando o Jaime Gilbert , que conjuntamente com o João Mário Ribeiro, foram os jogadores do Grupo mais fortes e afamados, o Jacinto Alves ombreava com qualquer jogador das 1ª Categorias dos anos 60-70.

Nesta homenagem, algumas das suas partidas, que gostaria que fossem reproduzidas no tabuleiro, nem que seja por memória terna pelo “Amizade” . O Nosso Clube deve-lhe muito, aqueles que o conheceram, certamente alguma coisa dele aprenderam, numa modalidade como a nossa em que muitas vezes o egoísmo, o individualismo impera, Jacinto Alves, “O Amizade”, bem merece ser recordado na História do Grupo de Xadrez do Porto.


Vejamos agora algumas do Jacinto Alves. Na primeira consegue com uma boa técnica defensiva, “parar “ o jogo mais forte do Jaime Gilbert.

(1) Alves,Jacinto - Gilbert,Jaime [B17] (Comentários de Arlindo Vieira)
1 Categoria, 04.05.1969
1.e4 c6 2.d4 d5 3.¤c3 dxe4 4.¤xe4 ¤d7 5.¤f3 ¤gf6 6.¤g3 e6 7.¥c4 ¤b6 8.¥b3 c5 9.c3 cxd4 10.£xd4 £xd4 11.¤xd4 ¥c5 12.¥e3 [12.¤c2 ¥d7 13.¥e3 ¦c8 14.0–0–0 0–0 15.¦d2 a5 16.¥xc5 ¦xc5 17.¤a3 ¥c6 18.f3 ¤bd5 19.¦e1 b5 20.¢b1 ¦c8 21.c4 bxc4 22.¥xc4 ¢f8 23.b3 ¤f4 24.¤f1 g5 25.¢b2 h6 26.¤c2 ¤6d5 27.¤fe3 ¤xe3 28.¦xe3 ¥d5 29.¥xd5 ¤xd5 30.¦ed3 ¢e7 31.¤e3 ¤xe3 ½–½ Rolletschek,H-Silman,J/USA 1987/EXT 97] 12...¤bd5 13.¤c2 ¤xe3 14.¤xe3 ¥d7 15.0–0 0–0?! eram claramente melhores: [15...0–0–0; 15...¥c6] 16.¤c4 ¦fd8 17.¤e5 ¥e8 [ Melhor teria sido: 17...¥b5 18.¦fd1 ¦ac8 19.a4 ¥a6 20.a5 g5 21.¥a4 g4 22.¥d7 ¤xd7 23.¤xd7] 18.¦ad1 ¥b6 19.¦xd8 ¦xd8 20.¦d1 ¢f8 21.¦xd8 ¥xd8 22.¥c2 ¥c7 23.¤d3 h5 24.h3 ¥xg3 25.fxg3 ¢e7 26.¤f4 ¥c6? [ o único lance que poderia levar as negras a aspirar jogar para ganhar era : 26...e5 27.¤d3 ¢d6 28.¤f2 ¥c6 29.¥d3 ¥d5 30.c4 ¥c6 31.b4 b6] 27.¢f2 g5 28.¤e2 ¤e4+ 29.¥xe4 ¥xe4 30.h4 f6 31.¤d4 e5 32.¤f3 ¥xf3 33.gxf3 gxh4 34.gxh4 b5 35.b3 ¢d6 36.¢e3 f5 37.¢d3 ½–½

A 2ª partida mostra efectivamente o Grande “Amizade” a lançar “ as carnes todas” sobre o seu adversário, numa bela vitória conjugada entre o posicional e o barrete!

(2) Alves,Jacinto - Xavier,Jorge [A17]
1 Categoria, 17.04.1969
[Arlindo Vieira]
1.c4 e6 2.¤c3 ¤f6 3.g3 3...g6 4.¥g2 ¥g7 5.¤f3 0–0 6.0–0 d6 5 7.d4 ¦e8?! Depois de uma abertura não muito bem jogada, não se percebe o alcance deste lance das Negras. [7...¤c6 8.h3²] 8.¥g5?! Aui as brancas deveriam ocupar o centro e ganhar o predomínio central [8.e4 ¤c6²] 8...¤bd7 [8...h6 9.¥f4=] 9.¤e4 As simplificações nesta posição só beneficiam as negras [9.£d2 e5²] 9...h6= 10.¥xf6 ¤xf6 11.¤xf6+ £xf6 12.£d2 [12.£b3 a5³] 12...e5 13.e3 [13.£e3 e4 14.¦fd1 ¥g4³] 13...e4?! Diagrama

XABCDEFGHY
8r+l+r+k+(
7zppzp-+pvl-'
6-+-zp-wqpzp&
5+-+-+-+-%
4-+PzPp+-+$
3+-+-zPNzP-#
2PzP-wQ-zPLzP"
1tR-+-+RmK-!
xabcdefghy

Jorge Xavier não compreende o espírito da posição, embora à primeira vista o lance tenha um objectivo claro de ganho de espaço no flanco de Rei. Talvez estivesse na sua ideia, um ataque no flanco de Rei branco ao estilo "Índio de Rei" à base de f5-g5, etc. Era muito melhor desenvolver o Bispo de casas brancas, dificultando qualquer tentativa de libertação das Brancas à base de:

f3 [13...¥g4! 14.¤e1 exd4 15.¥xb7µ ¥h3 16.¥g2 dxe3 17.fxe3 £xb2 18.£xb2 ¥xb2 19.¦b1 ¥xg2 20.¢xg2 ¥c3 21.¤c2 ¦ab8 22.¦xb8 ¦xb8 23.e4 com vantagem negra] 14.¤e1 £g5 [14...c5 15.¤c2 ¥e6 16.£e2 ¦ac8 17.¦ac1 £g5 18.¥xe4 ¥xc4 19.£xc4 ¦xe4 20.£b3 b6] 15.¦b1 [15.f3 c5³] 15...a5 Embora o lance a5 não seja mau, c6 ou c5, corresponderiam melhor ao estilo posicional que a posição pede. Para se libertarem , as brancas teriam de fazer a concessão de atrasar o peão de e3, ou ceder um peão pela actividade para as suas peças. [ 15...c6 16.¤c2 ¥e6 17.b3 d5 18.£b4 ¦ab8 19.cxd5 ¥xd5 20.f3 exf3 21.¥xf3 ¥e4 22.¥xe4 ¦xe4³; 15...c5 16.¤c2 ¥f5 17.¦bd1 ¦ac8 18.f3 exf3 19.¥xf3 ¥xc2 20.£xc2 £xe3+ 21.¢g2 cxd4 22.¥xb7 £e2+ 23.¦f2 £xc2 24.¦xc2 ¦c7 25.¥d5 ¦e3³] 16.a3 [16.f3 exf3 17.¦xf3 ¥f5³] 16...c6?! Inconsequente com o lance a5. As negras deveriam bloquear a expansão branca no flanco de Dama [16...a4 17.¤c2 ¥g4 µ; 17...¥f5 18.£b4 ¦eb8 19.h3 £e7 20.c5 dxc5 21.£xc5 £xc5 22.dxc5 µ ) 18.f3 exf3 19.¥xf3 ¥xf3 20.¦xf3 f5 21.¦f4 c6] 17.a4 [17.b3 a4µ] 17...b5?! Numa posição superior, as negras perdem "o fio à meada", confiando num melhor jogo e coordenação das suas peças. Novamente o desenvolvimento do Bispo de c8 impunha-se [17...d5 18.c5³; 17...¥g4 18.¦c1 c5 19.h3 ¥f5 20.¤c2 ¦e7 21.£c3 ¦d7; Fritz 8: 17...¥e6 18.¦c1 f5 19.f3 c5 20.d5 ¥d7 21.fxe4 fxe4 22.¦f4 ¥f5³] 18.axb5 Talvez melhor fosse a tentativa de criar alguma actividade para as peças brancas. [18.f3 bxc4 (18...exf3 19.¤xf3 £xe3+ 20.£xe3 ¦xe3 21.cxb5 cxb5 22.¤e5 ¦b8 23.¤c6 ¦b6 24.¢f2 ligeira vantagem negra) 19.fxe4 ¦b8³ 20.e5 ¥f5 21.¦c1 d5 22.£f2 ¦b3 23.¦c3 ¦eb8 24.¤f3 £e7 25.¦xb3 ¦xb3 26.£d2 ¥d3 outra vez com ligeira vantagem negra 18...cxb5µ 19.cxb5 £xb5 20.¤c2 ¥a6?! [20...a4 21.f3 exf3 22.¥xf3 ¦b8 23.£c3 d5 24.¤a3 £d7 25.b3 ¥a6 26.¦f2 ¦ec8 27.£a5 ¥d3 28.¥xd5÷] 21.¦fc1 £d5 22.¥f1? Havia que lutar contra o estrangulamento da posição branca com b4, que se na verdade daria um peão passado às Negras na coluna a, também o criaria para as Brancas na coluna b [22.b4!? a4 23.¤a3³] 22...¥xf1µ 23.¦xf1 h5?! [23...a4 24.b4µ a3µ] 24.h4 [24.b4 a4³] 24...¥h6? lance ao correr da mão sem qualquer objectivo estratégico-posicional. Com Db3, as brancas entrariam num final claramente favorável, devido ao peão fraco e atrasado na coluna b [24...£b3 25.£c3 ¦eb8 26.£xb3 ¦xb3 27.¤a1µ] 25.¤e1 [25.b4 a4³] 25...£e6 [25...a4 26.¤g2 £b5 27.¦fc1 ¥g7 28.¦a1 ¦ec8 29.¦xc8+ ¦xc8 30.£d1 ¦c4] 26.¤g2 [26.b4 axb4 27.¦xb4µ] 26...£g4 [26...a4 27.b4µ] 27.£d1 [27.¦a1 £f5=] 27...£f5 [27...£xd1 28.¦fxd1 a4 29.¦a1³; 27...£xd1 28.¦bxd1 ¦eb8 29.¦d2 ¦c8 30.¦b1 a4] 28.£e2 [28.¦a1 ¦eb8³] 28...¢h7? [28...a4 29.¦a1µ;: 28...a4 29.b4 ¦eb8 30.b5 ¦b6 31.£c2 ¦a5 32.¦a1 ¦axb5 33.¦xa4 ¦b2; : 28...¦eb8 29.¦a1 ¦b4 30.f3 exf3 31.¦xf3 ¦xb2 32.¦xf5 ¦xe2 33.¦fxa5 ¦xa5 34.¦xa5 ¥xe3+ 35.¤xe3 ¦xe3 36.¢f2 ¦e4 37.¦d5 ¦e6] 29.¦fc1 [29.¦a1 d5³] 29...¦ec8 [29...d5 30.b4³] 30.¦xc8 ¦xc8 31.£a6 ¦c2 32.£f1 [32.¦f1 d5³] 32...£g4 [32...a4 33.b4µ] 33.b3 ¦d2? [33...£f5 34.¦a1³] 34.¦a1 [34.£e1 £e2=; Fritz 8: 34.£e1 £e2 35.£xe2 ¦xe2 36.b4 axb4 37.¦xb4 ¦a2 38.¦b6 ¥f8 39.¦b7 ¢g7 40.¤f4 ¦a1+ 41.¢g2] 34...g5 [34...¦d3 35.£e1³] 35.£e1 [35.£c1!? £e2 36.£e1=] 35...¦e2³ 36.£xa5 [¹36.£b1³] 36...£f3?? Diagrama

XABCDEFGHY
8-+-+-+-+(
7+-+-+p+k'
6-+-zp-+-vl&
5wQ-+-+-zpp%
4-+-zPp+-zP$
3+P+-zPqzP-#
2-+-+rzPN+"
1tR-+-+-mK-!
xabcdefghy

As Negras arruínam a sua posição com um descuido táctico simples. Ainda haveria salvação numa variante interessante não muito difícil de calcular.

[¹36...gxh4! 37.¤xh4 ¥xe3 38.£f5+ £xf5 39.¤xf5 ¥xf2+ 40.¢f1 ¦b2³] 37.¦f1± g4 [¹37...£g4!? 38.hxg5 ¥xg5+- 39.£d5 ¢g7 40.£xd6 ¦b2 41.£a3±] 38.£xh5+- ¢g7?? Para ter qualquer esperança de resistência, as Negras deveriam activar a sua Torre, embora a sua posição esteja já bastante comprometida [38...¦a2 39.£d5 ¢g8 40.h5 ¦a3 41.¤h4 £e2 42.¤f5 ¥f8 43.b4 £f3 44.b5+-] 39.£d5 [Apesar da vitória já não fugir, Jacinto Alves não encontra o caminho mais curto para a mesma com : ¹39.¤e1 ¦xe1 40.¦xe1 ¢h7+-] 39...¥xe3 mais resistente era: [39...¦b2 40.h5 ¢g8 41.¤h4 £f6 42.¤f5 ¥f8 43.£xe4 £g5 44.£d5 ¦d2 45.£a5 ¦b2 46.b4] 40.¤xe3 ¦xe3
1–0

Contra Eduardo Monteiro, Jacinto Alvez explora de forma simples e correcta um peão a mais num final de Torre e Bispo.

(3) Monteiro,Eduardo - Alves,Jacinto [B23]
1 Categoria , 23.03.1965
[Fritz 8 (7s)]
B23: Closed Sicilian: Lines without g3 1.e4 c5 [1...¤c6 2.¤f3=] 2.f4 [2.¤f3 ¤c6²] 2...e6 3.¤c3 a6 Covers b5 [3...d5 4.¥b5+ ¥d7 5.¥xd7+ £xd7 6.d3=] 4.a4 [4.d4 cxd4 5.£xd4 ¤c6=] 4...d6 5.¤f3 ¤c6 6.¥e2 ¥e7 7.d3 [7.d4 cxd4 8.¤xd4 ¥h4+ 9.g3 ¤xd4 10.£xd4 ¥f6=] 7...¤f6 8.0–0 0–0 9.e5 [9.£e1!?= might be a viable alternative] 9...dxe5³ 10.¤xe5 ¤xe5 11.fxe5 £d4+ 12.¢h1 £xe5 13.¥f4 £d4 14.£e1 ¤d5 15.¤xd5 exd5 16.¥f3 ¥e6 17.¥e5 £h4 18.£e2 [18.£xh4 ¥xh4 19.¥d6 ¦fc8µ] 18...b5 [18...¦fe8 19.a5µ] 19.g3 [19.axb5 axb5 20.¦xa8 ¦xa8=] 19...£h6³ 20.¦fe1 [20.¥f4 £f6³] 20...¦fe8 [¹20...b4!?µ] 21.axb5= axb5 22.¦xa8 ¦xa8 23.c4 bxc4 24.dxc4 ¦d8 25.cxd5 [¹25.¥f4!? is an interesting idea 25...£h3 26.cxd5 ¦xd5 27.¥xd5 ¥xd5+ 28.¢g1=] 25...¥xd5µ 26.¥xd5 ¦xd5 27.¥f4 [27.¥c3 ¥f8µ] 27...£c6 28.£e4 [28.¢g1 ¥f8µ] 28...¥f8 [28...c4 29.¥d2–+] 29.£e8 [29.b3 £b7 30.£f3 £d7µ] 29...£xe8 [29...¦d7+ 30.£e4 £b5 31.£e8–+] 30.¦xe8µ f6 31.¦c8 ¢f7 32.¢g2 g5 [32...¦d3 33.¦c7+ ¢e6 34.¦c6+ ¢d5 35.¦c8µ] 33.¥e3 g4 34.¦c7+ [34.¥f4 ¦d1 35.h3 h5µ] 34...¥e7 [34...¢e6 35.¦xh7 ¦d3 36.¥f4µ] 35.¦a7 [35.h3 ¦e5 36.¥f2 f5µ] 35...h5 [35...¢e6 36.¦a6+ ¦d6 37.¦a4–+] 36.¦a3 [36.b3 ¢e6 37.¦a6+ ¦d6µ] 36...¢e6 [36...c4 37.¦a4 ¦e5 38.¥f2µ] 37.h3 [37.¦c3!?µ] 37...c4–+ 38.¦a6+ [38.¦c3 ¦d3–+] 38...¢e5 [38...¦d6 39.¦a3–+] 39.hxg4 hxg4 40.¦c6 [40.¥f4+ ¢d4–+] 40...¢e4 41.¥f2 [41.¥f4 ¢d3–+] 41...¢d3 42.¦e6 ¦e5 43.¦b6 [43.¦c6 ¦e2 44.¦c7 ¥b4 45.¦d7+ ¢c2–+] 43...¦e2 44.¦b5 ¢e4 45.¢f1 ¦c2 46.¥c5 [46.¥a7 otherwise it's curtains at once 46...¥d6 47.¢e1–+] 46...¥xc5 47.¦xc5 ¢f3 48.¦f5+ ¢xg3 49.¦xf6 ¦xb2 50.¦c6 [50.¢e1 doesn't do any good 50...¦c2–+] 50...¦c2 51.¦c8 ¦f2+ 52.¢g1 ¦f4 53.¦c7 ¢f3 54.¢f1 g3 55.¢g1 ¢e3 [55...¢e3 56.¢g2 ¦g4 57.¦e7+ ¢d3–+; ¹55...¦d4 secures the win 56.¦f7+ ¢e3 57.¦c7–+]
0:1

No Torneio do 25º Aniversário do GXP, Jacinto Alves “ despacha” com grande subtileza, o espanhol Alfonso Lagosa, novamente naquele estilo muito próprio de defender com unhas e dentes uma posição comprometida, para depois de um sacrifício (mau) de peça das brancas, com o objectivo de entrar com as duas Torres na 7ª meter um “barrete brilhante” e apanhar a Torre das Brancas numa bela manobra de cavalo, ou seja , Jacinto Alves, acabou por mandar mesmo “ as carnes” para cima de Lagosa.

(4) Lagosa,Alfonso - Alves,Jacinto [B50]
25 Aniversário, 22.05.1965
1.e4 c5 2.¤f3 d6 3.¤c3 a6 4.¥e2 ¤c6 5.0–0 e6 6.d4 cxd4 7.¤xd4 ¥e7 8.f4 £b6 9.¥e3 ¥f6 10.¤a4 £a7 11.¤xc6 £xe3+ 12.¢h1 bxc6 13.¦f3 £d4 14.£xd4 ¥xd4 15.¦d1 ¥c5 16.¦fd3 ¥b7 17.¤xc5 dxc5 18.¦d7 ¦b8 19.¦c7 ¤f6 20.c4 0–0 21.e5 ¤e8 22.¦e7 g6 23.¦dd7 ¥c8 24.¦d2 ¤g7 25.g4 ¦b7 26.¦xb7 ¥xb7 27.¥f3 ¦b8 28.b3 ¢f8 29.¦d7 ¤e8 30.h4 ¥c8 31.¦a7 ¥b7 32.¥e4 ¤c7 33.¢g1 ¤a8 34.¢f2 ¤b6 35.h5 ¤c8 36.¦xb7 ¦xb7 37.¥xc6 ¦b8 38.¢g3 ¤e7 39.¥e4 ¦d8 40.¢h4 ¦d4 41.¥b7 a5 42.¢g5 ¢g7 43.h6+ ¢f8 44.f5 exf5 45.gxf5 ¤xf5 46.¥c8 ¤e7 47.¥g4 ¦d2 48.e6 ¦xa2 49.¢f6 ¦f2+ 50.¢e5 f5 51.¥h3 ¦f3 52.¥g2 ¦xb3 53.¢d6 ¦e3 54.¥d5 a4 55.¢xc5 a3 0–1

Contra Silva Leal, nos idos anos de 1965, ainda jogador de 2ª Categoria, Jacinto Alves dá uma lição de como avançar uma maioria de peões no flanco de Dama, num GD aceite. É bonito de se ver a perfeita colaboração de Torres e par de Bispos negros, no avanço implacável dos peões b e c !

(5) Leal,Silva - Alves,Jacinto [D29]
Interno 2 Categoria, 16.01.1965
1.d4 d5 2.c4 dxc4 3.¤f3 ¤f6 4.e3 e6 5.¥xc4 c5 6.0–0 a6 7.£e2 b5 8.¥b3 ¥b7 9.¦d1 c4 10.¥c2 ¥e7 11.a4 ¤bd7 12.b3 cxb3 13.¥xb3 b4 14.a5 0–0 15.¤e5 £c7 16.¤xd7 £xd7 17.¤d2 £c6 18.f3 ¤d5 19.¥xd5 exd5 20.¤f1 ¦fc8 21.¥b2 £c4 22.£xc4 dxc4 23.¦db1 c3 24.¥c1 ¥c6 25.e4 ¥b5 26.¥f4 h6 27.¦e1 b3 28.¦ab1 b2 29.¤e3 ¥a3 30.¤d5 c2 31.¦xb2 ¥xb2 32.¤e7+ ¢h7 33.¤xc8 ¥xd4+ 34.¢h1 ¦xc8 35.¥c1 ¥f2 0–1

A última partida desta homenagem é uma luta “titânica” , aliás como foram sempre as partidas do Jacinto Alves com o Bernardino Passos. Amigos fora do tabuleiro, rivais acesos nas 64 casas! Depois de uma abertura, em que os dois jogadores mostram que estudavam xadrez, Jacinto lança-se num ataque ao roque de Passos que se defende com valentia, todavia com a instalação de um cavalo branco em e6, o jogo decide-se sem grandes dificuldades. A valorização do peão branco da coluna a e a sua marcha para Dama apoiado pelo Rei, culmina esta bela luta. (6) Alves,Jacinto - Passos,Bernardino [E80]

Aniversário, 19.05.1964
[Vieira,Arlindo]
1.d4 [1.e4 e6 2.d4 d5] 1...¤f6 2.c4 g6 3.¤c3 ¥g7 4.e4 d6 5.f3 a6 6.¥e3 c6 7.£d2 b5 8.¥h6 0–0 9.¥xg7
[9.h4 e5 10.¥xg7 ¢xg7 11.0–0–0 (11.g4 ¤g8 12.0–0–0 £e7 13.¤ge2 ¤d7 14.d5 c5 15.¤g3 bxc4 16.h5 ¤b6 17.hxg6 fxg6 18.£h2 h6 19.¥e2 ¢f7 20.f4 exf4 21.¤f5 £g5 22.¤xd6+ ¢g7 23.¥f3 £e5 24.¤f5+ gxf5 25.gxf5 ¥xf5 26.¦hg1+ ¥g6 27.d6 ¦f6 28.¤d5 ¦xd6 29.¤xf4 ¦xd1+ 30.¥xd1 ¢h7 31.¦xg6 ¦f8 32.¦xb6 £xf4+ 33.£xf4 ¦xf4 34.¦xa6 ¦f1 35.¢d2 ¦f2+ 36.¢c3 ¤f6 37.¥c2 ¢g7 38.¦a7+ ¢f8 39.¦c7 ¦e2 40.¦xc5 ¤xe4+ 41.¥xe4 ¦xe4 42.¦xc4 ¦e7 43.a4 h5 44.a5 ¢e8 45.b4 ¦e3+ 46.¢d4 ¦g3 47.¢c5 ¢d8 48.¢b6 ¦g6+ 49.¢b7 ¦g7+ 50.¢b8 ¦g4 51.¦xg4 hxg4 52.a6 g3 53.a7 g2 54.a8£ g1£ 55.£d5+ ¢e8 56.£e6+ ¢f8 57.£d6+ ¢f7 58.b5 £a1 59.b6 £h8+ 60.¢c7 £c3+ 61.£c6 £g3+ 62.¢b7 £a3 63.¢c8 £f8+ 64.¢c7 £b4 65.b7 £a5+ 66.¢c8 £c3 67.£xc3 1–0 Boye,N-Petersen,F/Aarhus 1995/EXT 2000) 11...£a5 12.h5 b4 13.hxg6 fxg6 14.¤b1 ¦a7 15.c5 exd4 16.£xd4 £xc5+ 17.£xc5 dxc5 18.¥c4 ¤bd7 19.¦d2 ¤e5 20.¦c2 ¤xc4 21.¦xc4 ¤d7 22.¢c2 a5 23.e5 ¤xe5 24.¦ch4 ¥f5+ 25.¢d1 g5 26.¦h5 ¥xb1 27.¦xg5+ ¤g6 28.¦xc5 0–1 Thorbergsson,F-Sigurjonsson,G/Reykjavik 1970/EXT 98]
9...¢xg7 10.h4 [10.a3 ] 10...¤h5 [10...¤bd7!? 11.g4 ¤b6 12.c5 b4 13.¤b1; 10...e5? 11.0–0–0 Por inversão de lances estar-se-ia na partida Thorbergsson-Sigurjonsson- atrás citada; 10...h5!]
11.¤ce2 [11.¤ge2 b4 12.¤d1 c5 13.g4 ¤f6 14.h5 e5 15.d5 gxh5 16.£g5+ ¢h8 17.gxh5 ¦g8 18.£e3 ¤bd7 19.¥h3 ¤b6 20.¥xc8 ¦xc8 21.¦c1 ¦g2 22.h6 com ligeira vantagem] 11...bxc4 12.d5? [12.g4 ¤f6 13.h5 e5 14.dxe5 ( 14.¤c3 ¤bd7 15.¥xc4 exd4 16.£xd4 ¤e5 17.h6+ ¢h8 18.¦d1 ¦e8 19.g5 ¤fd7 com jogo complicado ) 14...¤bd7 (14...dxe5 15.£c3 ¤bd7 16.¤g3 ¦b8 17.¥xc4 g5 18.¤f5+ com vantagem ) 15.hxg6 fxg6] 12...c5 [12...cxd5 13.exd5 ¤d7 14.g4 ¤e5 15.gxh5 ¤d3+ 16.¢d1 ¤f2+ 17.¢c1 ¤xh1 18.£d4+ ¢g8 19.h6 f6 20.¥g2 c3 21.bxc3 e5 22.dxe6 com vantagem ligeira ] 13.g4 ¤f6 14.¤g3 ¤bd7 [14...e6?! 15.0–0–0 e5 16.h5 c3 17.bxc3 £a5 18.g5 ¤xh5 19.¤xh5+ gxh5 20.¦xh5± ] 15.h5 ¤g8 [15...¤e5 16.hxg6 fxg6 17.g5 ¤fd7 18.f4 ¤d3+ 19.¥xd3 cxd3 20.¦c1 ¤b6 21.£h2±] 16.h6+? [16.¤f5+ parece ganhar de imediato Diagrama

ABCDEFGHY
8r+lwq-trn+(
7+-+nzppmkp'
6p+-zp-+p+&
5+-zpP+N+P%
4-+p+P+P+$
3+-+-+P+-#
2PzP-wQ-+-+"
1tR-+-mKLsNR!
xabcdefghy

16...gxf5 (16...¢h8 17.hxg6) 17.£g5+ ¢h8 18.h6 ¤xh6 19.£xh6 ¤f6 20.g5 £a5+ 21.¢d1 £a4+ 22.¢1 (22.¢e2) 22...c3 23.£xf8+ ¤g8 24.£xf7 cxb2+ 25.¢xb2 £d4+ com vantagem decisiva ] 16...¢h8 17.¥xc4?! [17.f4 ¤b6 18.£c3+ f6 19.f5 gxf5 20.¤xf5²] 17...¤e5 [17...¦b8 ] 18.¥e2 f6 [18...£b6 19.g5 f6 20.f4 ¤f7 21.¤f3 ¦b8 22.¦b1 e5 23.f5] 19.0–0–0 [19.¤h3 ¥d7 20.¤f2 ¥b5 21.0–0–0 ¥xe2 22.£xe2 £a5] 19...¥d7 [19...¦b8 20.¤f1 ¦b4 21.¤e3 ¦a4 22.¢b1 ¦d4 23.£c2 ¦xd1+ 24.£xd1 £b6] 20.f4 ¤xg4 21.¥xg4 [21.¦h4 £c8 22.¦f1 ¦b8 23.f5 gxf5 24.¤xf5 ¤e5 25.¤f3 ¥xf5 26.exf5 £d7 27.¤xe5 fxe5] 21...¥xg4 22.¦f1 [ 22.¤1e2 ¦b8 23.f5 gxf5 24.¤xf5 ¦b4 25.¦df1] 22...¥d7 [22...e6 23.f5 exf5 24.exf5 g5 25.¤e4 £d7 26.£c3 ¥xf5] 23.f5 g5 24.¤f3 [ 24.¢b1 ¦b8 25.¤f3 £b6 26.¦fg1 £b4 27.£c2 ¥b5 28.¦h2] 24...¦b8 25.£c3 £b6? [ 25...¦b5 26.¤e2 £a5 27.£xa5 ¦xa5 28.¤c3 ¦b8 29.¦fg1 ¥b5 30.¢d2 ¥c4 31.b3 ¥b5=] 26.¤xg5! Diagrama

ABCDEFGHY
8-tr-+-trnmk(
7+-+lzp-+p'
6pwq-zp-zp-zP&
5+-zpP+PsN-%
4-+-+P+-+$
3+-wQ-+-sN-#
2PzP-+-+-+"
1+-mK-+R+R!
xabcdefghy

26...c4 [26...£b4 27.£xb4 ¦xb4 28.¤e6 ¦fb8 29.¦h2 ¥xe6 30.fxe6 ¦c4+ 31.¢b1 ¦cb4 32.¦g1] 27.¤e6 ¥xe6 [27...¦fc8 28.¤e2 £b4 29.¤6d4 ¦b7 30.£xb4 ¦xb4 31.¤c3 ¦cb8 32.¦h2 ¦4b7 33.¦g1] 28.fxe6 £b4 29.£xb4?! [29.¤f5 £xc3+ 30.bxc3 ¦b5 31.¢c2±] 29...¦xb4 30.¦f3 ¦fb8 31.¦h2 ¤xh6 [ 31...¦a4 32.¢b1 ¦ab4 33.¤f5 c3 34.¦xc3 ¦xe4 35.¦f2 ¦e1+ 36.¢c2 ¦e5 37.¦c7 ¦e8 38.b4 ¦xd5 39.¦a7 ¦b5 40.a3 ¦b6 41.¢c3+-] 32.¦xh6 ¦xb2 33.¦a3 ¦b1+ 34.¢d2 ¦8b2+ 35.¢c3 ¦f2 36.¢xc4 ¢g7 37.¦h3 ¦c1+ 38.¦c3 [ 38.¢d3 ¦d1+ 39.¢e3 ¦dd2 40.¤f5+ ¢h8 41.¤xe7 ¦xa2 42.¦xa2 ¦xa2 43.¤f5] 38...¦xc3+ 39.¢xc3 ¦f3+ 40.¢b4 ¢g6 41.a4 h5 42.¢a5 [42.¤xh5 ¦xh3 43.¤f4+ ¢g5 44.¤xh3+ ¢g4 45.¢a5 ¢f3 46.¤f2 ¢xf2] 42...h4 43.¦xh4 ¦xg3 44.¢xa6 ¢g7 [ 44...¢g5 45.¦h1 ¢f4 46.¦e1 ¦d3 47.a5 f5 48.exf5 ¢xf5 49.¦h1 ¢e5 50.¦h5+] 45.a5 ¦b3 46.¢a7 ¦b5 47.a6 ¦b4 48.¦g4+ ¢h7 49.¢a8 [ 49.¦g1 ¦xe4 50.¦b1 f5 51.¢b7 ¢g6 52.a7 ¦a4] 49...¢h8 [49...f5 50.¦g3 fxe4 51.a7 ¢h6 52.¦g4 ¢h5 53.¦g7 e3 54.¦xe7 ¢g6] 50.a7 ¢h7 51.¦g2 ¦b5
1–0

Arlindo Vieira

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