 Há quase duas décadas foi-me confiado um cargo de
director no GRUPO DE XADREZ DO PORTO. Assumi-o então,
penso, com o correcto sentido das responsabilidades envolvidas
e um leal espírito de serviço.
As sucessivas Direcções em que participei mostraram-me
que estava no caminho certo para servir 2 causas: a do
Xadrez em geral, e a do G. X. Porto em particular.
No últimos anos “obrigado” a presidir à Direcção do Clube, tenho que
reconhecer dele ter recebido, afinal, bem mais do que lhe dei — recebi a grande
satisfação e honra de servir o mais emblemático e respeitado clube de xadrez em
Portugal, dando em troca apenas a dedicação sem limites que ele merece.
Fui, ao longo destes 20 anos, tocado por uma vida associativa que trazia já 40
longos anos “de estrada”, feitos de mil estórias que fizeram a sua história, que
enraizaram na Cidade do Porto um nome que perdura e poucos desconhecerão.
Pude testemunhar alguns desses acontecimentos, viver intensamente sagas
desportivas quase heróicas, participar com alegria em episódios divertidíssimos.
Enquanto se joga xadrez no “Grupo” vai-se comentando jocosamente as
pretensas “gaffes” do adversário, canta-se, divulgam-se as últimas anedotas,
conversa-se, cultiva-se descontraidamente a amizade e o companheirismo, convivem seres
humanos dos 8 aos 90 anos de idade.
Quando é necessário levar a competição a sério, aí estão os melhores talentos
sempre prontos a contribuir para o engrandecimento do Clube .Como não referir as
glórias conquistadas pelos grandes homens e mulheres do meu tempo, que aliaram o
seu talento e trabalho no Xadrez à dedicação pelo Clube que defendem? Não vou citar
os nomes, todos eles respeitados, dos que trouxeram o G. X. P. de novo à 1ª Divisão
por Equipas, e lá permanecem há 4 anos consecutivos, dos que conquistaram inúmeros
títulos nacionais e distritais, individual e colectivamente, dos que ainda recentemente
nos levaram a uma Final da Taça de Portugal, da rapariga do Porto que nos tem
representado nas Olimpíadas femininas de Xadrez...Bem hajam, todos, por esse
esforço e entrega.
Acima de tudo há a consciência de estarmos — todos os Sócios, sem excepção —
a participar na continuidade de um projecto válido. Nesse sentido se trabalha
para que a Colectividade vá frutificando em novos valores, outras dedicações, diferentes
opções que se apresentam perante o Mundo Novo que o dia-a-dia nos traz, para que este GRUPO
DE XADREZ DO PORTO vá singrando em direcção ao amanhã, em que será ainda de todos
nós mas se deseja possa continuar a constituir um património de muitos depois de
nós.
Álvaro Brandão |