A Visita de Alekhine - Grupo de Xadrez do Porto - 26/04/2005


Livro assinado pelo Alekhine

Anúncio da Visita de Alekhine

A dedicatória de Alekhine


"...a 24 de Agosto de 41 a direcção do Grupo comunicava a todos os sócios numa caligrafia escrupulosa que «foram plenamente coroadas de êxito as negociações entabuladas entre o G.X.P. e a F.P.X. [Federação Portuguesa de Xadrez] para a deslocação ao Norte do Sr. Dr. Alexandre Alekhine, campião (com “i” e não com “e”) mundial de xadrez». O «maior astro do firmamento escaquístico» chegaria no dia seguinte a Espinho, onde ficaria por uma semana, dando três sessões: 2 simultâneas - a primeira das quais, às cegas, estava marcada para a noite seguinte, uma segunda feira, 25 de Agosto, pelas 21 horas e 30 – e uma lição temática.

Entardece. E não custa imaginar como pulsa o coração aos oitos jogadores seleccionados pelo Grupo, ao encaminharem-se, de acordo com a convocatória da direcção, para a «Garagem Atlântida», à Praça da Batalha, onde deveriam estar impreterivelmente pelas 20 e 15. Um deles regressaria nessa noite de Espinho com uma vitória, Domingos Tavares. Enquanto o húngaro Dezso anulava com o campeão de olhos vendados. Assistia-se ao milagre por cinco escudos de bilhete, enquanto os participantes «estavam isentos de qualquer taxa». Sabe-se que Alekhine voltou a jogar, confirmando, já em condições normais, sobre 43 vítimas (só o húngaro Dezso de novo sobreviveu) a sua «técnica brilhantíssima e incomparável virtuosidade», até chegar, no fim dessa semana mágica ao reduto portuense dos jovens lobos, e ser recebido na bela sala «Renascença» do primeiro andar do café Palladium. Aí estão, expostas, as reproduções dos documentos citados e das fotos, tanto da simultânea, quanto da sua notável presença entre os xadrezistas do Grupo que, desse modo, abriam com chave de ouro o primeiro de 60 anos de história ora calma, ora acidentada. Se necessário fosse, a vista de Alekhine teria um efeito catalisador sobre toda uma brilhante geração de xadrezistas. O ritmo competitivo era assombroso. Três anos depois o Grupo de Xadrez do Porto vencia o campeonato nacional de xadrez postal. Outros três e tornava-se campeão nacional por equipas. E, nesse mesmo ano, Leonel Pias, o rapazinho de óculos sentado ao canto da fotografia com Alekhine, ganhava o título de campeão nacional..."

Rui Pereira


Alguns dos sócios Fundadores

Alekhine na sala do GX do Porto

Simultânea de Alekhine em Espinho