Terminaram em Portimão os Campeonatos Nacionais de Xadrez Jovem. O que deveria ser o espelho de uma boa organização, não passou de uma muito fraca organização na maior parte dos aspectos: Não houve cerimónia de abertura. Não houve cobertura jornalística nem informação na Internet suficiente. As refeições de cerca de 350 miúdos até ao 3º dia foram miseráveis e só melhoraram após reclamação de várias associações.
Não houve reunião de delegados. Enfim! De facto um verdadeiro espelho do xadrez em Portugal. Até à data desta crónica a única informação que existia na Internet, eram os resultados, a monte, tal e qual como saíram do programa de emparceiramento, não sabemos que match se fizeram e quem os ganhou, não existe um quadro de honra dos campeões e os resultados dos matchs apenas os que os próprios jogadores nos informaram. Pobre muito pobre para uma entidade que supostamente regula e organiza as competições em Portugal.
Uma página de xadrez nacional que para além de alguns adiamentos, outras poucas informações oficiais, links que não funcionam, quadro de multas de clubes da época 2005, duvidosas na sua publicação, ou seja, “as dívidas” de entidades, que as próprias finanças não ousam publicar ainda, pouco mais tem a não ser uma ou outra noticia de charme, para inglês ver, já que ao comum dos mortais xadrezistas pouco interessa.
Seis meses de governação de uma entidade sem um único comunicado, uma governação tipo feudal que é coisa que muitos já esperavam, ou não fosse a dita casa governada por quem já é conhecido da comunidade e que outrora com verbas bem chorudas vindas do IDP, pouco fez pelo desenvolvimento da modalidade. Ou outros, vice-governantes que num passado muito recente com títulos mais executivos nos deram “ricos exemplos” de bem governar. Ou outros ainda que de competições, arbitragem e regulamentos (leis), são quase “catedráticos”.
Uma casa governada à boa maneira portuguesa. Assim vai o xadrez em Portugal…!
Escrito em: 22-04-2006
Rogério Oliveira
O Xadrez e a Música
È inquestionável que o xadrez, pela sua exigência do rigor e capacidade de decisão; da metodologia e raciocínio lógico e pela desenvoltura intelectual e valores éticos que potencia nos jovens, configura uma ferramenta fundamental que o ensino e a cultura deveriam colocar á mercê de cada estudante. Vários estudos levados a cabo, um pouco por todo o mundo, concluem que o aluno praticante de xadrez revela um aproveitamento escolar muito superior aos outros. E, na sequência desses dados, são muitos os países que já introduziram o xadrez nos seus programas escolares, como Cadeira ou simples disciplina de opção. Sei, por experiência, que a dualidade cromática do tabuleiro de xadrez e a sensorialidade das peças, exerce sobre as crianças uma irresistível atracção, sendo por isso muito fácil o seu ensino. Partindo daqui, importa reflectir e depois questionar, quantos milhares de jovens, por aí errando á margem de motivos; perdidos e expostos a atavios degradantes, não teriam sido subtraídos à ataxia que lhes prende o fulgor das suas potencialidades e o direito ás suas naturais ambições se, a seu tempo, tivessem tido acesso aos efeitos disciplinadores da pratica do xadrez? E, depois, poderíamos ainda imaginar quantos não seriam os reformados e idosos a passar pacatas tardes, entre amigos entretidos num deleite inverso de tempo, a disputar entre si arrebatadoras partidas de xadrez, se o fascínio embriagador deste sublime jogo, tivesse feito parte da sua cultura. Veja-se como paradigma, Augusto Faria, vetusta e carismática figura do Grupo de Xadrez do Porto que, pese os seu respeitáveis 95 anos, ainda frequenta o nosso Grupo e ali joga frequentes partidas cheias de vigor e lucidez, irradiando depois saúde e alegria de viver. A não instituição do ensino do xadrez e da música nas escolas, constitui um desleixo politico que eu não sei perdoar. Qualquer sensibilidade que assente no equilíbrio emocional, reconhecerá que o xadrez e a música são duas modalidades que fazem florescer os jardins do Espírito, mas se outras virtudes não tivessem, estas bastariam; “O Xadrez ensina a pensar e a Música a ouvir” Dois valores humanos sem preço.
Escrito em: 08-07-2005
Monteiro de Castro
Uma Opinião
Defendo que não constitui bom método de ensinar xadrez ás crianças, com 6 ou 8 anos, uma excessiva imposição da matéria teórica, tal como não é adequado exigir a memorização de conceitos técnicos em tempo de aprendizagem das simples regras da movimentação das peças. Com efeito, o xadrez deve ser exposto ás crianças como mero instrumento planetário a partir do qual, possa alimentar a sua prodigiosa imaginação e criatividade. Se, de uma forma hábil e lúdica as enredarmos nos liames fascinantes do xadrez, todo o esplendor das virgens faculdades mentais irrompem numa imparável ultrapassagem aos ensinadores, rumo ao infinito. “ Jogar xadrez é um desafio á inteligência e ao infinito”, logo, xadrez é coisa de crianças.