Não é muito comum na nossa sala, apesar de ao longo dos anos, os Sábados de tarde serem o ponto de encontro de muitos associados para épicas batalhas de rápidas, ou trocas de impressões sobre as actualidades xadrezísticas nacionais ou internacionais, talvez só as fotos sépia dos anos 50, 60, nos façam recordar o que aconteceu na nossa sala no pretérito dia 10 de Fevereiro. E foi só isto…mais de 50 pessoas entre jogadores e espectadores amantes de xadrez …!
Mais uma pequena mostra do riquíssimo património do Grupo de Xadrez do Porto. Quatro medalhas fantásticas, oferecidas ao Grupo pelo Sócio nº 1, Augusto Faria.
Tinha alguma ideia dele da sala de xadrez do GXP no Café Palladium, mas foi a partir de 1976 e nos anos 80 que comecei a conhecer melhor e a apreciar esta figura ímpar e curiosa do nosso Clube. Era um bom Homem, directo, franco. Gostava dele! Estatura mediana, esqueleto bem nutrido, forte, olhos vivos, calva farta e luzidia, ressaltava no Jacinto Alves a sua sonora voz, quer na saudação de boa – tarde ou boa – noite, quer sobretudo na saudação individual com que mimoseava os presentes na sala “ Então como está o Amizade?”. ERA a imagem de marca do Jacinto Alves, que se repetia nos diálogos entre partidas informais, ou no fim das oficiais: “ O Amizade tem que estudar mais!” , “ O Amizade estava perdido na abertura” , “ O Amizade enganou-me bem!” …
Símbolo do Grupo de Xadrez do Porto, criado por um sócio, em concurso promovido pela direcção em 1954. O prémio do concurso cifrava-se no valor de 50$00 escudos.
Escrito em: 22-01-2005
Acta de Fundação
A primeira acta da direcção do Grupo de Xadrez do Porto, redigida em 6 de Maio de 1945, provavelmente numa mesa do café Monumental.
"....Como na tarde de Julho de 2000, em que, com um sorriso nostálgico, o engenheiro Lima Torres emerge da letra impressa de uma anódina lista de adversários de Alekhine, numa simultânea de 1940, para se sentar ali, do outro lado da mesa, e restituir ao presente o mítico campeão sob a forma de um homem, cujos passos pesados parece agora poderem escutar-se, enquanto sobem as escadas até ao primeiro andar do Grupo. Que importa que primeiro andar de que prédio ou de que rua, era esse? ... Alekhine como que se materializa aqui, agora, no primeiro andar do nº 183 da Rua Passos Manuel, ao lado desses homens de cabelos brancos e anos avançados, sentados em volta dos gastos tabuleiros do Grupo, onde repousa, aberto, o livro das suas 200 melhores partidas, oferecido, pelo autor, vai para 60 anos ao «Groupement d’ Échècs du Porto», com os melhores votos e..." (excerto da prosa de Rui Pereira, "Retrato de Grupo com Amigos")